USO AGRÍCOLA DA ESCÓRIA DE SIDERURGIA NO BRASIL
Estudos na cultura da cana-de-açúcar



RENATO DE MELLO PRADO
UNESP Câmpus Jaboticabal

FRANCISCO MAXIMINO FERNANDES
UNESP Câmpus Ilha Solteira

WILLIAM NATALE
UNESP Câmpus Jaboticabal



APRESENTAÇÃO

   A civilização moderna, nos últimos anos, tem aumentado a exigência de produtos derivados do ferro e do aço, impulsionando o crescimento do setor siderúrgico nacional e, conseqüentemente, a geração de resíduos industrial denominado de escória de siderurgia. Atualmente, o consumo per capita de aço é relativamente baixo no Brasil, e, com o fortalecimento da economia, a sua produção pode crescer ainda mais e com maior geração de resíduos.

   Neste contexo, a reciclagem de resíduos pode contribuir para solucionar problemas das indústrias que primam para a excelência da produção com qualidade. Por outro lado, tem-se o setor de produção primária no Brasil, a agricultura, com grande área cultivada em solos ácidos e com baixa fertilidade, sendo estes fatores reconhecidamente determinantes para produção vegetal, sob condições tropicais. Assim, tem-se um cenário de dois setores primários de produção, embora distintos, que apresentam potencial de interação, pois, de um lado, existe a disponibilidade de um produto com propriedades semelhantes aos corretivos e fertilizantes tradicionais e, do outro, um setor de produção altamente dependente destes produtos. E com a interação destes setores, tem-se ainda a preservação do meio ambiente, imprimindo, assim, certa sustentabilidade nos sistemas de produção da civilização pós-moderna, que será desafio deste novo século.

   O quadro atual do uso agrícola da escória de siderurgia é muito restrito no Brasil, diferentemente de alguns países como Japão, China e EUA, onde o volume de pesquisas agrícolas é considerável.

   No Brasil, as poucas pesquisas conduzidas com escória de siderurgia foram em laboratórios e em casa de vegetação, restringindo-se a culturas anuais. As escórias têm, na composição química, silicatos complexos de reação lenta no solo, com efeito residual relativamente longo e, assim, as culturas semiperenes e as perenes poderão ser as mais beneficiadas, a exemplo da cultura da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo. Portanto, existe grande potencial para o uso agrícola da escória de siderurgia no Brasil, direcionando as culturas de ciclo longo. Entretanto, existe um grande potencial para uso agrícola da escória de siderurgia no Brasil, direcionando as culturas de ciclo longo. Entretanto, para impulsionar o uso da escória de siderurgia nestas culturas, é fundamental o amparo da pesquisa em experimentos de campo, uma vez que praticamente inexistem trabalhos nestas condições no Brasil, suficientes para sustentar uma recomendação.

   Portanto, a presente obra teve por objetivo ilustrar os benefícios da escória de siderurgia na fertilidade do solo como a neutralização da acidez do solo e como fonte de nutrientes como Ca, Mg, micronutrientes e de silício e na resposta de cultura de ciclo longo como a cana-de-açúcar. Uma que dentre as culturas que apresentam maior potencial de consumo  deste subproduto no Brasil, destaca-se a cana-de-açúcar, seja pela vasta área cultivada, concentrada na mesma região produtora das escória de siderurgia, seja pela tradição e organização que o setor sucroalcooleiro apresenta na reciclagem de resíduos e, ainda, pelo fato da resposta positiva da cana-de-açúcar à aplicação deste resíduo, conforme experimentos conduzidos na Flórida-USA, e, mais recentemente, no Brasil.

           Salienta-se que o presente trabalho não tem pretensão de esgotar o assunto e, sim, incentivar novas pesquisas em ambientes distintos e encorajar o uso agrícola da escória de siderurgia na agricultura brasileira.



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